A Ciência, a Precisão e a Visão Clínica
Na medicina dentária contemporânea, a verdadeira excelência nasce do equilíbrio entre conhecimento científico, experiência clínica e inovação tecnológica. A implantologia moderna deixou de ser apenas uma solução para a perda dentária — tornou-se uma área altamente diferenciada, capaz de devolver função, estética e qualidade de vida com níveis de previsibilidade nunca antes alcançados.
Na beClinique, esta visão é liderada pelo Prof. Doutor Dárcio Fonseca, Diretor Clínico com dedicação exclusiva à Implantologia e Reabilitação Oral. Com um percurso académico sólido e vasta experiência em casos de elevada complexidade, dedica a sua prática à reabilitação oral personalizada, combinando planeamento digital avançado, cirurgia guiada e abordagens minimamente invasivas.
Nesta entrevista, exploramos a evolução dos implantes dentários, os desafios dos casos considerados “sem solução”, o impacto da tecnologia tridimensional na precisão cirúrgica e a filosofia clínica por trás de uma reabilitação oral de excelência.
1. O que o levou a dedicar-se à implantologia e a reabilitação oral, e de que forma o seu percurso académico e doutoramento influenciaram a sua abordagem clínica?
Dedico-me à implantologia e à reabilitação oral há mais de 26 anos. Comecei a dedicar-me à reabilitação oral logo após terminar o curso, em 1997, e a partir de 2000 passei também a focar-me na implantologia.
Desde cedo percebi que queria seguir um percurso mais diferenciado dentro da medicina dentária. Não pretendia exercer apenas de forma generalista; queria dedicar-me a áreas que me estimulassem mais do ponto de vista clínico e científico. Esse interesse levou-me a aprofundar a formação académica e a desenvolver uma prática cada vez mais orientada para a reabilitação oral complexa.
2. A implantologia evoluiu significativamente nos últimos anos. Que avanços considera mais determinantes para a previsibilidade e segurança dos tratamentos?
A implantologia tornou-se cada vez mais previsível. Atualmente existe muito mais planeamento antes da colocação de um implante, bem como meios de diagnóstico avançados que permitem avaliar com precisão a anatomia do paciente e escolher a solução mais adequada.
Também se verificou uma evolução muito significativa ao nível dos componentes protéticos, que contribuem para uma melhor estabilidade dos tecidos e para a redução do risco de perda óssea associada aos implantes.
Para além disso, surgiram técnicas minimamente invasivas, como a cirurgia guiada, e novos tipos de implantes, cada vez mais curtos e estreitos, que permitem tratar casos que anteriormente seriam considerados muito difíceis ou mesmo inviáveis.
Hoje em dia existem soluções para praticamente todos os cenários clínicos, incluindo implantes convencionais e implantes zigomáticos, utilizados em situações mais complexas.
Outro avanço muito importante foi a carga imediata. Quando comecei a colocar implantes, esta abordagem era pouco comum. Atualmente, em muitos casos, é possível colocar os implantes e entregar dentes fixos ao paciente no próprio dia, sobretudo em reabilitações de arcadas completas.
A evolução da tecnologia, do design dos implantes e das superfícies implantárias contribuiu muito para esta previsibilidade. Hoje conseguimos planear digitalmente todo o tratamento e prever o resultado final antes mesmo de iniciar a cirurgia.
3. Para quem não está familiarizado, o que é realmente um implante dentário e em que situações clínicas é a solução mais indicada?
Um implante dentário é uma raiz artificial, normalmente em titânio, que é colocada no osso para substituir a raiz de um dente perdido.
Sobre essa raiz artificial é colocada uma coroa dentária, que funciona como o dente visível e permite recuperar a função mastigatória e a estética do sorriso.
Os implantes podem ser utilizados em diferentes situações clínicas:
- substituição de um único dente;
- substituição de vários dentes;
- reabilitação total, em pacientes que perderam todos os dentes e passam a ter uma prótese fixa suportada por implantes.
4. Muitos pacientes chegam à consulta com receios ou acreditando que “não têm osso suficiente” para colocar implante. Como implantologia moderna responde a esses desafios?
É verdade que muitos pacientes chegam à consulta com essa indicação e, em alguns casos, a perda óssea existe realmente. No entanto, hoje dispomos de meios de diagnóstico avançados que permitem analisar e estudar detalhadamente a anatomia óssea antes de qualquer intervenção.
Existem essencialmente duas abordagens principais.
A primeira passa pela regeneração óssea, que pode ser horizontal ou vertical, permitindo reconstruir o osso em falta para posteriormente colocar os implantes dentários.
A segunda abordagem aplica-se sobretudo em reabilitações totais e inclui técnicas alternativas, como o approach palatino ou a utilização de implantes zigomáticos e Pterigoideos, que permitem ancorar os implantes em estruturas ósseas mais densas.
5. A reabilitação oral total é uma das áreas mais complexas da medicina dentária. Como é estruturado o planeamento de um caso de elevada exigência clínica?
A reabilitação oral total representa um desafio não apenas funcional, mas também estético. Na realidade, os pacientes não procuram implantes — procuram recuperar os seus dentes e o seu sorriso.
Por isso, o planeamento é absolutamente fundamental. O primeiro passo é o planeamento digital do sorriso, que permite projetar o resultado final antes de qualquer cirurgia.
Posteriormente, esse planeamento é convertido para um modelo tridimensional, permitindo criar um protótipo da prótese. Este protótipo funciona como uma espécie de maquete: permite avaliar estética, função e conforto, tanto para o médico como para o paciente.
Caso sejam necessários ajustes, estes podem ser realizados nesta fase. Quando o protótipo corresponde às expectativas, avança-se para a reabilitação definitiva com um elevado grau de previsibilidade.
Desta forma evitam-se surpresas entre a fase cirúrgica e o resultado final.
6. Para um paciente que procura uma solução definitiva para perda dentária, que fatores considera essenciais antes de avançar com um tratamento de implantologia?
Existem vários fatores a considerar. O primeiro é a disponibilidade óssea, que determina as opções de tratamento possíveis.
Para além disso, é fundamental avaliar características individuais do paciente, como o nível de ansiedade, as expectativas em relação ao resultado e o grau de complexidade do caso.
Não é a mesma situação colocar um implante num incisivo central de uma jovem de 20 anos ou num paciente de 70 anos. Cada caso exige uma abordagem específica e um planeamento adaptado às necessidades de cada pessoa.
Conclusão do Prof. Doutor Dárcio Fonseca
A implantologia evoluiu de forma extraordinária nas últimas décadas. No entanto, mesmo para profissionais com muitos anos de experiência, é essencial continuar a estudar e a evoluir.
Não podemos ficar presos apenas à experiência adquirida. É importante acompanhar as novas técnicas, tecnologias e tendências da área, mantendo sempre um espírito crítico.
A experiência acumulada permite analisar cada inovação com rigor e avaliar se determinada técnica ou produto é realmente a melhor solução para os nossos pacientes.
No final, o mais importante é manter um compromisso permanente com formação contínua, tecnologia de ponta e excelência clínica, garantindo sempre o melhor cuidado possível a quem nos procura.
Casos de Reabilitação Oral Total


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